O 19 de outubro é feriado estadual no Piauí. A data celebra a história do estado, especialmente sua participação na independência do Brasil — algo que poucos brasileiros de fora conhecem.
O episódio central é a Batalha do Jenipapo, de 13 de março de 1823. Piauienses, cearenses e maranhenses enfrentaram tropas portuguesas em Campo Maior, no interior do estado. Militarmente, foi uma derrota — cerca de 200 mortos e mais de 500 prisioneiros do lado brasileiro. Mas a resistência impediu o avanço dos portugueses rumo à capital, e isso teve peso real na consolidação da independência na região Norte-Nordeste.
O Piauí tem particularidades geográficas que chamam atenção. Teresina é a única capital do Nordeste que fica no interior, longe do litoral. Foi fundada em 1852, em homenagem à imperatriz Teresa Cristina. E o estado tem a menor faixa litorânea entre todos os estados costeiros do país: apenas 66 km. Parece pouco, e é.
A colonização também seguiu um caminho diferente. Enquanto o litoral nordestino foi ocupado a partir do mar, o Piauí foi colonizado pelo interior, por fazendeiros que começaram a criar gado às margens do rio Gurguéia por volta de 1674. A ocupação veio de dentro para fora. Hoje, o estado tem cerca de 3,3 milhões de habitantes, segundo o IBGE.
Para quem se interessa por pré-história, o Piauí guarda o Parque Nacional da Serra da Capivara, patrimônio da UNESCO. O parque tem o maior conjunto de pinturas rupestres das Américas, com registros de ocupação humana que podem ter mais de 25 mil anos. É um dos sítios arqueológicos mais relevantes do mundo — e fica num dos estados mais pobres do Brasil. A contradição diz bastante sobre o país.
No dia 19, Teresina costuma ter desfiles cívicos e eventos culturais. Nas cidades menores do interior, as comemorações variam — em alguns lugares é mais sentido, em outros passa quase despercebido.
