Dia Nacional de Combate ao Câncer

O 27 de novembro é o Dia Nacional de Combate ao Câncer. A data existe desde 1988, quando o Ministério da Saúde publicou a Portaria nº 707. A ideia era — e continua sendo — chamar atenção para prevenção e diagnóstico precoce. Parece óbvio, mas os números mostram que não é.

Segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer), a estimativa é de cerca de 704 mil novos casos por ano no triênio 2023-2025 — sem contar o câncer de pele não melanoma, que sozinho responde por quase um terço dos diagnósticos. Os tipos mais comuns no país são mama, próstata, cólon e reto, pulmão e estômago. Cada um tem suas particularidades de prevenção e tratamento, mas existe um ponto em comum: quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances.

O problema é que boa parte dos casos ainda é descoberta em estágio avançado. Isso acontece por vários motivos: falta de acesso a exames de rotina, medo do diagnóstico, desconhecimento dos sinais de alerta. Em cidades menores, a situação costuma ser pior — muitas vezes o paciente precisa viajar para fazer uma biópsia ou iniciar quimioterapia.

A prevenção, na prática, envolve coisas conhecidas mas difíceis de manter: não fumar, limitar o consumo de álcool, manter peso saudável, usar protetor solar, fazer exames periódicos. Parece lista de conselho médico genérico, mas a verdade é que cerca de um terço dos casos de câncer poderia ser evitado com mudanças de hábito, segundo a Organização Mundial da Saúde.

O SUS oferece tratamento oncológico gratuito, incluindo cirurgias, quimioterapia e radioterapia, por meio de hospitais habilitados como Unacons e Cacons. Na teoria, o acesso é universal. Na prática, a fila pode ser longa. O INCA, sediado no Rio de Janeiro, é a principal referência em pesquisa e tratamento do país, mas não dá conta de toda a demanda nacional.

O Dia Nacional de Combate ao Câncer não é feriado em lugar nenhum — é uma data de conscientização. Mas serve como lembrete de que prevenção não é só campanha de saúde: é exame marcado, consulta feita, hábito mudado. As campanhas Outubro Rosa (mama) e Novembro Azul (próstata) ajudaram a popularizar o tema. Fora desses meses, porém, o assunto tende a sumir da conversa pública.