Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantil

O 23 de novembro é o Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantil, criado em 2008. A data existe para chamar atenção sobre um problema que a maioria das pessoas não associa a crianças: o câncer é a primeira causa de morte por doença entre brasileiros de 0 a 19 anos.

São cerca de 8.460 novos casos por ano, segundo o INCA. Os tipos mais comuns são leucemia (33% dos casos), linfomas (12%) e tumores do sistema nervoso central. Neuroblastoma, tumor de Wilms e retinoblastoma também aparecem com frequência. Diferente dos cânceres em adultos, os infantis geralmente não têm relação com estilo de vida ou fatores ambientais — o que torna a prevenção primária praticamente impossível e o diagnóstico precoce ainda mais importante.

E aqui está o ponto: quando detectado cedo e tratado em centros especializados, o câncer infantil tem taxa de cura de cerca de 80%. Oitenta por cento. O problema é que a taxa de sobrevida real no Brasil é de 64%, segundo o Ministério da Saúde. A diferença entre 80% e 64% são crianças que morrem por diagnóstico tardio, falta de acesso a centros especializados ou desigualdade entre regiões. A maioria dos serviços de oncologia pediátrica está concentrada no Sul e Sudeste.

Sinais que merecem atenção: palidez persistente, febre prolongada sem causa clara, dores ósseas, manchas roxas pelo corpo, caroços indolores, perda de peso inexplicável, dor de cabeça frequente com vômitos, alterações na visão. Não significa que toda criança com febre tem câncer — mas a persistência desses sintomas justifica investigação.

Organizações como o GRAACC, o Instituto Ronald McDonald e a TUCCA fazem um trabalho pesado no apoio a famílias e tratamento. Mas a estrutura do SUS para oncologia pediátrica ainda precisa crescer, especialmente no Norte e Nordeste.