O 14 de novembro é o Dia Nacional da Alfabetização. A data faz referência ao decreto de 1930 que criou o Ministério da Educação — na época chamado Ministério dos Negócios da Educação e da Saúde Pública. A comemoração existe desde 1966.
A história da alfabetização no Brasil tem um nome central: Paulo Freire. Em 1963, ele alfabetizou cerca de 300 trabalhadores rurais em Angicos, no Rio Grande do Norte, em apenas 40 dias. O método era simples na aparência e sofisticado na base: partia do vocabulário e da realidade dos próprios alunos, em vez de usar cartilhas genéricas. Funcionou. Virou referência mundial.
Durante a ditadura, o governo criou o MOBRAL em 1967, com uma abordagem oposta à de Freire. Material padronizado, mesma cartilha de norte a sul, sem considerar diferenças regionais. Atendeu milhões de pessoas, mas a eficácia foi limitada. Quem passava pelo MOBRAL frequentemente não conseguia ler um jornal de verdade.
Os números atuais mostram avanço, mas longe do ideal. A taxa de analfabetismo caiu para 5,3% entre maiores de 15 anos — o menor índice da história, segundo o IBGE. Parece pouco, mas são 9,1 milhões de pessoas que não sabem ler nem escrever. E quando se fala em analfabetismo funcional — gente que decodifica letras mas não entende um texto simples — o número pula para 29% da população entre 15 e 64 anos.
A distribuição é desigual, como quase tudo no Brasil. O Nordeste concentra 55,6% dos analfabetos do país. A taxa entre pessoas pretas ou pardas (6,9%) é mais que o dobro da registrada entre brancas (3,1%). Esses números não são acidente — são herança de séculos de escravidão e desigualdade no acesso à educação.