Dia Mundial do Urbanismo

O 8 de novembro é o Dia Mundial do Urbanismo. No Brasil, a data foi oficializada por decreto em 1985. A comemoração tem origem em 1949, quando a ONU adotou a proposta do urbanista argentino Carlos María della Paolera, que vinha batalhando pela causa desde 1934, em Buenos Aires.

Urbanismo, no fundo, é pensar a cidade antes de ela virar um caos. Transporte, moradia, saneamento, áreas verdes, mobilidade — tudo isso entra na conta. O problema é que, na prática, a maioria das cidades brasileiras cresceu sem planejamento nenhum, e o urbanismo chega depois, tentando consertar o que já está feito. Não é a situação ideal.

O Brasil tem alguns casos notáveis de planejamento urbano. Brasília, projetada por Lúcio Costa e Niemeyer, é Patrimônio da UNESCO e referência mundial — mas também é famosa pela dependência do carro e pela segregação espacial entre o Plano Piloto e as cidades-satélite. Goiânia, planejada por Attilio Corrêa Lima nos anos 1930, tem avenidas largas e parques, mas o crescimento descontrolado engoliu parte do projeto original. Curitiba ganhou fama internacional pelo transporte público nos anos 90, embora o sistema tenha perdido fôlego desde então.

O cenário geral é de desafio. Mais de 85% dos brasileiros vivem em cidades. Segundo o IBGE, milhões ainda vivem em favelas e assentamentos sem saneamento, transporte ou segurança adequados. Trânsito, poluição, moradia cara, periferia distante — são problemas urbanos que afetam o dia a dia de boa parte da população.

A data serve mais como provocação do que como celebração. Não há muito o que comemorar quando se olha o estado das cidades brasileiras com honestidade. Mas serve para lembrar que planejamento urbano existe, faz diferença e deveria ser prioridade de política pública.