Dia do Saci

O 31 de outubro é o Dia do Saci no Brasil. A data foi escolhida de propósito: é o mesmo dia do Halloween. A ideia era criar uma alternativa brasileira à festa americana, valorizando o folclore nacional. Funcionou em parte — a data existe oficialmente, mas o Halloween segue firme por aqui também.

O Saci-Pererê dispensa apresentação para a maioria dos brasileiros: menino negro, uma perna só, gorro vermelho, cachimbo. Gosta de esconder objetos, azeda leite, faz trança na crina dos cavalos, assusta viajantes. Não é mau — é brincalhão. Faz parte do imaginário de quem cresceu ouvindo histórias de avó ou lendo Monteiro Lobato.

A origem do personagem é misturada, como quase tudo no Brasil. Há elementos indígenas guaranis (um curumim protetor da floresta), africanos (a pele negra e o cachimbo) e possivelmente europeus (o gorro vermelho, que lembra barretes ibéricos). Ninguém sabe ao certo quando essas camadas se fundiram. A lenda parece ter começado no Sul e se espalhado para o resto do país.

Quem mais fez pelo Saci foi Monteiro Lobato. Em 1917, ele publicou nos jornais de São Paulo um “inquérito sobre o Saci”, pedindo que leitores mandassem relatos de suas experiências com o personagem. Reuniu tudo no livro O Saci Pererê: Resultado de um Inquérito (1918). Depois veio O Saci (1921), da série do Sítio do Picapau Amarelo. A partir daí, o personagem se consolidou de vez no imaginário nacional.

A oficialização do dia foi gradual. São Paulo saiu na frente com a Lei Estadual nº 11.669 de 2004. No âmbito federal, o Projeto de Lei 2.479/2003 resultou na inclusão da data no calendário oficial em 2013. Na prática, escolas e centros culturais organizam contação de histórias, oficinas e peças teatrais. É uma celebração mais educativa do que festiva — o que talvez explique por que o Halloween, com suas fantasias e doces, continua mais popular entre as crianças.