Dia da Música Popular Brasileira

No dia 17 de outubro de 2012, a Presidenta Dilma Rousseff homenageou a primeira maestrina do Brasil, Chiquinha Gonzaga, nascida em 17 de outubro de 1847, na cidade do Rio de Janeiro. Esse dia, desde então, é o Dia Nacional da Música Popular Brasileira.

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Chiquinha Gonzaga como símbolo da música brasileira
A música brasileira que exerce uma força soberana evolutiva e livre é, sem dúvida, a obra mais valiosa da cultura brasileira. E, mesmo com a deformação empregada muitas vezes pelas práticas da indústria, a música do Brasil tem um espírito perfeitamente universal. Ela é de fato uma arte social com todos os componentes da nossa história, seja do ponto de vista comemorativo, religioso, tribal ou científico. É a produção artística que traz a maior realidade nacional. E, por isso mesmo foram Chiquinha e Antonio Callado, os grandes protagonistas da fixação do termo “Choro” e codificação de um gênero com todas as vertentes do que havia sido nutrido na nossa ancestralidade até o momento nas múltiplas fusões com que a mestiçagem cultural brasileira já havia nos brindado.
Colocar Chiquinha Gonzaga como símbolo da música popular brasileira que continua mais atual que nunca, é uma escolha acertadíssima da presidente Dilma, digo, imprescindível, pois é a manifestação musical brasileira que reflete as características mais profundas e, sobretudo mais complexas do Brasil, até porque a música popular brasileira é riquíssima e sua permanente relação com a realidade sempre pautou por fazer da música artística um patrimônio universal reconhecido no mundo todo.
Chiquinha Gonzaga que defendeu com veemência ao que correspondia aos movimentos da sociedade, acentuou não só em notas, mas num verdadeiro movimento trangressor a dinâmica exclusivamente brasileira que organizava as nossas criações. Mas é bom também lembrar que Chiquinha Gonzaga lutou para que a nossa música não fosse restrita a salões e, por isso, enfrentou os conceitos tradicionais de sua época e conseguiu transmitir todo o significado intelectual que o poder sugestivo da música brasileira trazia. Chiquinha harmonizou em suas manifestações os direitos dos artistas sem jamais deixar de lutar pela liberdade das manifestações do povo.
E é bom que este ponto seja acentuado, porque recentemente durante os processos que se deram nos debates sobre o direito autoral, algumas pessoas apostaram num pregão cego de que, usando em falso o nome de Chiquinha Gonzaga, poderiam defender a concepção totalitária do Ecad. Uns, comicamente chegaram a dizer que o Ecad foi uma criação de Chiquinha quando, na realidade, o que predominava em sua luta era a música como instrumento de manifestação livre da sociedade brasieira.
Quanto à comemoração de mais uma data, nunca é excessivo dizer que a prioridade sempre foi a valorização da nossa música dentro do jogo institucional, pois, na prática, o puro e bom som brasileiro criado pelo povo harmonizando etnias, gerações com variações incontestáveis ainda não conseguiu abrir as portas das maiores instituições brasileiras. Acho que o gesto de Dilma em escolher Chiquinha Gonzaga como símbolo da música popular brasileira cultiva no povo a busca pela pesquisa de nossa própria história que tem encanto extraordinário, mas que infelizmente é pouco conhecida, principalmente pelas novas gerações.

Texto Chiquinha Gonzaga como símbolo da música brasileira extraído do site chiquinhagonzaga.com.