O Dia da Música Popular Brasileira é comemorado em 17 de outubro. A data foi oficializada em 2012 pela então presidente Dilma Rousseff, em homenagem a Chiquinha Gonzaga, nascida nesse mesmo dia em 1847, no Rio de Janeiro.
A escolha de Chiquinha não é por acaso. Ela foi a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil, compôs a primeira marcha de carnaval (“Ó Abre Alas”, de 1899) e lutou pelo direito autoral dos músicos numa época em que mulher nem deveria estar no palco. Enfrentou a família, a sociedade e os costumes do século XIX. Viveu até os 87 anos, compondo até o fim.
O termo “música popular brasileira” em si é amplo e meio escorregadio. Formalmente, a sigla MPB se consolidou nos anos 1960, puxada pelos festivais da TV Record e por nomes como Elis Regina, Chico Buarque, Gilberto Gil e Caetano Veloso. Mas a raiz é mais antiga: vem do choro de Pixinguinha, do samba de Noel Rosa, da bossa nova de Tom Jobim. Cada geração acrescentou algo.
Na prática, a MPB acabou virando uma espécie de guarda-chuva que abriga muita coisa diferente — de Djavan a Marisa Monte, de Milton Nascimento a Adriana Calcanhotto. O que une tudo é difícil de definir. Talvez seja uma combinação de letra elaborada, melodia sofisticada e uma relação constante com o que acontece no país. Nem sempre funciona como rótulo, mas é o que temos.
Hoje a música brasileira vive um momento diferente. O sertanejo e o funk dominam as plataformas de streaming, e a MPB “tradicional” ocupa um espaço menor no mainstream. Isso não significa que desapareceu — artistas como Tim Bernardes, Liniker e Luedji Luna mostram que a tradição se renova. Mas o cenário mudou, e a MPB deixou de ser o centro da conversa musical no Brasil faz tempo.
O 17 de outubro não é feriado. É uma data simbólica, mais lembrada por músicos e entusiastas do que pelo público geral. A maioria das pessoas nem sabe que existe. Mesmo assim, é uma boa desculpa para ouvir (ou reouvir) Chiquinha Gonzaga — e lembrar que a música popular brasileira tem uma história que vai muito além dos hits do momento.