Goiânia faz aniversário em 24 de outubro. A pedra fundamental foi lançada em 1933 por Pedro Ludovico Teixeira, interventor de Goiás indicado por Vargas. A ideia era tirar a capital da antiga Cidade de Goiás — isolada e sem perspectiva de crescimento — e construir uma cidade nova do zero. Fazia parte da “Marcha para o Oeste” de Vargas, que queria ocupar o interior do país.
O projeto ficou com Attilio Corrêa Lima, urbanista que se inspirou em cidades-jardim europeias. Avenidas largas, praças arborizadas, setores bem definidos. A transferência da capital aconteceu em 1937. O estilo arquitetônico dominante foi o art déco, escolhido por ser “inovador e ao mesmo tempo econômico” — palavras dos próprios urbanistas da época, que precisavam fazer bonito gastando pouco.
Esse pragmatismo resultou num acervo inesperado. Goiânia tem 22 bens tombados pelo IPHAN e o maior conjunto art déco do Brasil — segundo maior do mundo, atrás só de Miami. Em 2023, recebeu o título oficial de “Capital Art Déco”. Torre do Relógio, Palácio das Esmeraldas, Teatro Goiânia — são prédios que a maioria dos moradores passa na frente todo dia sem prestar atenção, mas que especialistas vêm de fora para estudar.
Hoje a cidade tem mais de 1,4 milhão de habitantes (2,7 milhões na região metropolitana), é a segunda maior do Centro-Oeste. O crescimento, previsível, engoliu parte do planejamento original — o trânsito é problema, a periferia se expandiu desordenadamente. Mas Goiânia ainda mantém uma qualidade de vida acima da média para padrões brasileiros, com bastante área verde e uma cena gastronômica que surpreende quem visita pela primeira vez.
