O 20 de outubro é o Dia do Poeta no Brasil. A data existe desde 1976, quando o Movimento Poético Nacional foi criado na casa de Paulo Menotti Del Picchia, em São Paulo. Menotti tinha sido um dos organizadores da Semana de Arte Moderna de 1922. São Paulo oficializou a data em 1977. No resto do país, é comemoração extraoficial — ninguém folga, mas algumas escolas e centros culturais lembram.
Não confundir com o Dia Nacional da Poesia, que é em 31 de outubro. Esse foi criado em 2015, em homenagem a Carlos Drummond de Andrade, que nasceu nessa data em 1902. São duas comemorações diferentes, o que gera confusão frequente.
Drummond é, por consenso amplo, o maior poeta brasileiro do século XX. Mineiro de Itabira, escreveu sobre o cotidiano, o amor, a solidão e a condição humana com uma ironia seca que até hoje soa contemporânea. Alguma Poesia, Sentimento do Mundo, A Rosa do Povo — qualquer um desses livros justificaria uma carreira inteira.
Mas a lista não para nele. Cecília Meireles (1901-1964) foi a primeira grande voz feminina da poesia brasileira, com mais de 50 obras num lirismo delicado e preciso. Vinícius de Moraes, o “poetinha”, é caso raro de poeta que virou popstar — a parceria com Tom Jobim em Garota de Ipanema produziu uma das canções mais gravadas da história. Manuel Bandeira praticamente fundou o modernismo em versos. João Cabral de Melo Neto criou uma poesia seca e nordestina que influenciou gerações. E Cora Coralina publicou o primeiro livro aos 75 anos — só isso já vale uma história à parte.
A tradição poética brasileira vai além dos livros. O cordel nordestino, o rap das periferias, as letras de Chico Buarque e Caetano Veloso — tudo isso tem raiz poética. Para quem quiser mergulhar, o acervo da Biblioteca Nacional e o site da Academia Brasileira de Letras são bons pontos de partida.